Raça busca fortalecer ligação com outros países

PROJETO//ABCI e criadores apostam no programa de divulgação e melhoramento genético para facilitar relações exteriores

Por: Mariana Bananal

Presente em 16 países, o rebanho puro do indubrasil tem hoje número muito superior de matrizes registradas e selecionadores no exterior do que em seu país de origem. embora tenha perdido espaço em terras brasileiras, a raça é a mais criada na Ásia. No méxico, já é o segundo zebuíno preferido dos criadores. em seguida, países de peso no mercado agropecuário, como estados unidos, e outros com menos representatividade, mas não menos importância, como costa rica, austrália, panamá e africanos dependem da genética brasileira da raça para manter seus plantéis. para a associação Brasileira dos criadores de indubrasil (ABCI) este vasto mercado internacional é a oportunidade concreta de expansão da genética selecionada dentro do Brasil. No último dia 3 de março, a entidade, presidida por roberto Fontes de goes, aderiu ao programa de melhoramento genético de Zebuínos (pmgZ) da associação Brasileira dos criadores de Zebu (ABCZ) com o intuito de consolidar este projeto. a iniciativa é parte de um trabalho maior, para divulgação da raça em todo o território nacional, que envolve trabalhos de marketing, criação de banco de sêmen e pesquisas. “É um programa que todos precisamos para divulgação da raça. estamos mostrando para os criadores a importância do pmgZ e em todos os nossos eventos incentivamos que eles participem do programa. essa é a hora do indubrasil”, afirma o presidente da associação.

Mercado promissor

o mercado internacional do indubrasil é visto pelos criadores com prosperidade. “mesmo tendo saído por um tempo da mídia, o indubrasil mantém o interesse de países tanto por animais quanto por sêmen. têm sido feitas exportações constantes, mas essa demanda deve aumentar bastante com as novas ações empreendidas pela aBci e pelos criadores”, aponta o adepto da raça, Henrique Figueira. tradicionais importadores de indubrasil, os tailandeses retomaram as negociações de material brasileiro em 2013, após um distanciamento de mercado que perdurou cerca de 20 anos, as relações desde então se estreitaram. Djenal Queiroz Neto, diretor internacional da ABCI, conta que, um criador tailandês o adicionou no Whatsapp, uma ferramenta para troca de mensagens on-line via celular, à procura de informações sobre o gado brasileiro. “as redes sociais são amplamente utilizadas para intercâmbio de informações entre criadores de indubrasil. além do Whatsapp, existem grupos no Facebook voltados para este fim”, explica. Henrique concorda quanto à importância desta configuração moderna do diálogo. “grupos de criadores de países como tailândia, por exemplo, vêm anualmente ao Brasil em busca de material genético. a divulgação e os contatos são feitos em grande parte através da internet e redes sociais. essas ferramentas hoje são de extrema importância e eficiência. Muita coisa também se realiza através da aBci e de empresas especializadas em exportação”, complementa Henrique.

Barreiras

A ABCI se filiou ao Brazilian cattle, em julho de 2006, justamente por seu potencial em outros países. contudo, com a perda da visibilidade nacional, perdeu-se também criadores em potencial para realizar exportações. a gerente de relações internacionais do órgão, icce garbellini, chama a atenção para esta situação. “existe mercado para a raça em países tropicais, entretanto, é necessário ter volume para atender essas demandas. certamente, este projeto auxiliará, e muito, não só a expansão no mercado interno, mas externo”, afirma. porém, os protocolos sanitários são um fator que esbarram no crescimento internacional do indubrasil. Na lista de Negociações sanitárias e Fitossanitárias do ministério da agricultura, a maioria dos países aparece com algum tipo de restrição às importações de produtos agropecuários brasileiros. Neste sentido, Djenal ressalta o trabalho realizado pelo presidente da aBcZ, cau paranhos, na busca junto ao governo Federal de renovação de acordos. icce também destaca o empenho da instituição na procura de soluções. “Nosso trabalho mais intenso e árduo é justamente relacionado à articulação para abertura de novos protocolos sanitários. É, sem dúvida, um trabalho muito burocrático, demorado, mas com importância ímpar”, define.

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