Criadores investem na diversidade de raças

CRIAÇÃO// A intenção não é a de cruzamento, mas sim resgatar a seleção da raça Indubrasil que já foi um dos principais destaques nas pistas de maior importância do país

Por: Sabrina Alves

Gado genuinamente brasileiro, o Indubrasil nasceu a partir do cruzamento entre as raças Gir, Guzerá e Nelore. Seus primeiros registros foram feitos no final dos anos 30, mais precisamente em 1938. A raça já constituiu o maior rebanho do país. entretanto, esse número, com o passar dos anos foi sofrendo uma queda e agora, criadores de outras raças que originaram o gado estão se mostrando interessados pela difusão e crescimento do Indubrasil. A diversidade na criação de várias raças aparecem nos planteis espalhados pelo brasil. Antes, destinados a explorar apenas uma raça, nomes como o de Henrique Figueira, Waldyr barbosa de oliveira Júnior e José Henrique Fulgazola de barros já são lembrados também como grandes criadores de Indubrasil. Proprietário da Fazenda bocaina, localizada em Guará, interior de São Paulo, Waldyr barbosa é criador de Gir e agora vem explorando também o gado genuinamente brasileiro. esposo da também indubrasilista, Patrícia Sibin, diretora de marketing da AbCI, o pecuarista disse que a criação do Indubrasil é um resgaste da família que criava a raça há mais de 50 anos. “Sou criador de Gir, mas minha família tem tradição com o Indubrasil. meu primo, Hilário barbosa de Freitas fez o Grande Campeão da expozebu, em 1963, com o touro por nome Pagé. Na Fazenda bocaina meu avô e meu pai se abasteciam dessa genética familiar com aquisição de touros e novilhas de meu primo (já falecido). Acabei dando continuidade a esse criatório”, conta. ele relembra que a tradição em se criar raças diversas sempre esteve presente entre nomes de importância do cenário pecuário. “Para efeitos comerciais, o zebuzeiro sempre manteve a tradição de criar várias raças, tanto assim que Torres Homem, fundador da Vr, sempre manteve criatórios de Nelore, Indubrasil, Gir, assim como Vicentinho Araújo mantinha”, mostra. “Indubrasil ao meu ver representa um trabalho inegável dos criadores brasileiros que remonta ao início do século passado, o qual vem contribuindo de forma positiva com a produção de alimentos nos trópicos, ou seja, carne e leite”, completa o indubrasilista. o mesmo foi lembrado por José Henrique Fulgazola. responsável pela Fazenda Natureza, em Naviraí e Valo Novo em batatais, onde fica a maioria do gado registrado. o criador se diz um apaixonado por bovinos e completa afirmando que na sua fazenda tem de tudo, desde linhagens suíças, europeias e até o nosso zebu. “o Indubrasil desenvolvido pela Fazenda Natureza sem qualquer preconceito ou bairrismo é pioneiro na cruza de suas linhagens desenvolvidas no mato Grosso do Sul, gado de origem de batatais, Uberaba e Araxá com bovinos de regiões adversas como as do nordeste brasileiro. A humildade em realizar este trabalho levou nosso gado ao reconhecimento nacional, sento nos últimos três anos o de melhor criador e expositor na expozebu”, reforça. outro nome que vem reforçando esse time de criadores de Indubrasil é está Henrique Figueira. ele conta que a raça foi a primeira que selecionou, e agora, depois de anos de experiência, voltou a se dedicar a criação. Apaixonado pelo zebu, de uma maneira geral, Figueira comemora a criação e a retomada da seleção. “o Indubrasil é uma raça excepcional e, ao contrário do que muitos pensam, ela é extremamente rústica. A raça vem sendo selecionado por guerreiros, criadores com ‘C’ maiúsculo. eles têm criado sem nenhum glamour ou incentivo e vem provando ano após ano a força e a importância da raça para a pecuária nacional. Hoje, existe um mercado aberto e crescente para a comercialização de tourinhos, inclusive entre centrais de inseminação que voltaram a contratar e disponibilizar sêmen de touros Indubrasil ao mercado”, comemora. Henrique completa “além da paixão que a raça desperta naquelas que a criam, vejo como uma raça que tem um mercado amplo a ser explorado e que pode contribuir de forma muito positiva para o melhoramento e evolução da pecuária nacional”, destaca.

Reconhecimento

Para o presidente da Associação dos Criadores de Indubrasil, roberto Fontes Goes essa é uma forma de mostrar que a raça é e sempre será uma das principais quando o assunto é o zebu brasileiro. “Ficamos muito agradecidos. Como presidente de uma entidade ver o crescimento da raça mostra um trabalho que vem sendo feito pela diretoria. Quando nós assumimos colocamos como primeiro foco a visitação e divulgação dessa raça, para que nós pudéssemos trazer novos criadores. Na década de 70, quando cheguei pela primeira vez em Uberaba até a década de 80, próximo a 90, víamos aqui uma quantidade absurda de indubrasil. Infelizmente houve uma queda, mas graças a deus o desenvolvimento tem atraído adeptos que criavam outras raças e agora investem no Indubrasil”, diz.

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