Raça volta a ser destaque entre novos criadores

INDUBRASIL // O gado que já teve o seu tempo de ouro dentro das feiras pecuárias acabou sendo deixado um pouco de lado com a propagação de outras raças que, até então, não tinham tanto destaque

Por: Sabrina Alves

Presente desde a primeira edição da Expozebu, quando ainda era chamada de Exposição Agropecuária de Uberaba, a raça atingiu o seu ápice sendo considerada a maior raça em números de animais inscritos. Em 1930, aquele gado de orelhas caídas e olhar sonolento era o mais encontrado entre os planteis espalhados por todo o país. O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Indubrasil (ABCIndubrasil) Roberto Goes, um apaixonado pela raça, lembra-se da primeira vez que esteve em Uberaba para apreciar os animais. Junto ao pai, Horário Goes, assistiu pela primeira vez, em 1970, ao seu primeiro julgamento da raça. Para ele, o Indubrasil vai além do trabalho diário. “A raça significa precocidade, qualidade da carcaça, estrutura, rusticidade, habilidade materna, produção leiteira e docilidade. Graças às raças zebuínas já existentes, reunindo estas características, nasceu o grande Indubrasil”.

Novos tempos

Depois de tantos anos criadores de várias partes do país voltam a mostrar o seu carinho e apreço pela raça. Como é o caso do criador gaúcho Elair Bachi. “Há 15 anos conheci os primeiros exemplares e me identifiquei logo no inicio.Ali percebi que poderia fazer algo por aquela raça. Com o passar do tempo fui fazendo amigos e consolidando a minha marca, mostrando o meu trabalho. Durante a última ExpoZebu, recebi das mãos do presidente Roberto Goes, o troféu como um dos destaques como criador”. Para Elair, o zebuíno voltou a ser solidificada e os problemas enfrentados já começam a ficar para trás. “Todas as grandes raças passaram por momentos de dificuldade e a última foi o Indubrasil, mas isso ficou para trás. Os problemas que afetam a raça, hoje, estão contornados”. Atraído por uma beleza racial, Elair conta que o Indubrasil é um animal que come pouco e aguenta desde o frio de cinco graus do Rio Grande do Sul, como o calor de 40 graus que atinge o nordeste brasileiro. “A dupla aptidão, heterose impressionante nos cruzamentos e em especial a docilidade me chamam muito a atenção”.

Exposições

O gaúcho comemora a participação da raça na última Expointer. “Há 20 anos não eram expostos animais desta raça na Expointer. Agora, quebramos esse tempo voltando com a raça e atingindo um crescimento muito forte. Lá dentro do estado, estamos convictos que, em um curto espaço de tempo, ela será uma das raças zebuínas mais
expostas, nesta que é a maior da América Latina” declara. O criador conta hoje com um plantel de 80 matrizes, mas já adianta que pretende aumentar esse número, em um curto espaço de tempo. “Comecei com apenas quatro bezerras e duas novilhas, hoje já contamos com um plantel de 80 matrizes e, num curto, espaço poderemos chegar a 150 a 200 animais. Percebemos a grande absorção que o Indubrasil tem na pecuária nacional, por ser um boi dócil, pesado e rústico”, diz Elair que ainda não estreou em uma pista da ExpoZebu, mas já se organiza para expor seus animais na edição de 2016.

O passado se faz presente

A raça Indubrasil está prestes a voltar ao plantel de Ary Gonzaga. Filho do criador Múcio Scévola Gonzaga Jayme, que parou de criar a raça, pelo mesmo motivo que muitos outros: “o declínio em todo o Brasil decorrente de inúmeros fatores”. O fato foi relembrado pelo filho do criador, que faleceu este ano, pouco depois depois de ser homenageado pela ABCI. Agora, Ary confirma o seu interesse em retomar a criação da raça. “O interesse surgiu a partir de uma revisitação do passado do meu pai, quando pudemos perceber sua história de amor e dedicação com a raça. Seu principal feito foi ser o Grande Campeão da ExpoZebu em 71, com o touro Congado, além de ter tirado diversos reservados campeonatos em um momento de grande evidência. A curiosidade em entender os motivos que levaram ao seu declínio do Indubrasil se transformou no incentivo necessário para tentar retornar aos tempos áureos da raça”, conta. Ary mostra a sua expectativa pelo
crescimento, e diz que, mesmo não estando diretamente ligado ao Indubrasil, pode afirmar que a raça está voltando a todo o vapor. “Tenho uma excelente expectativa em relação ao Indu. Recentes pesquisas revelam dados extraordinários a respeito da raça, demonstrando boa conformação frigorífica entre os animais, habilidade materna, velocidade no ganho de peso e extraordinária conversão alimentar. Além de tudo isso, o Indubrasil tem demonstrado excelentes resultados em cruzamentos com qualquer raça européia ou zebuína, e uma fantástica
aptidão leiteira, com o cruzamento do touro holandês com a vaca indu, formando o Indolando”. Ele completa ainda: “O Indubrasil é considerado o Zebu Mundial, estando presente com importantes rebanhos em países como Estados Unidos, México, Costa Rica, Panamá, Tailândia, Austrália, África do Sul, dentre outros. O fundamental agora é que os produtores possam se unir, cada vez mais, em torno da raça, aprimorando -a através de melhoramento genético investindo em marketing e propaganda”, pontua.

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